Você conhece as Paralimpíadas?

A origem das Paralimpíadas vem da Alemanha e está diretamente ligada ao neurologista judeu Ludwig Guttmann. O médico foi um dos pioneiros no uso do esporte para a reabilitação física de deficientes. Foi atendendo um mineiro que tinha se acidentado nas minas de carvão e teve uma lesão grave na medula espinhal – o que levou ao seu falecimento por septicemia – que impulsionou o médico, na época era apenas um voluntário, a seguir a medicina e se especializar em neurologia.

Jogos de Stoke Mandeville

Em 1939, ele se mudou para a Inglaterra com a família, fugindo da perseguição de Adolf Hitler aos judeus na Alemanha. O país tinha um alto índice de mortalidade de pacientes paraplégicos (80%). Muitos deles tinham perdido os movimentos das pernas graças à 1ª Guerra Mundial. Em 1943, ele fundou um hospital especializado no tratamento de soldados com amputações e paralisias. No início, a intenção era que servisse para amparar todos os feridos no ataque do Dia D. No ano seguinte, o centro passou a ter uma abordagem inovadora no tratamento de tetraplégicos e paraplégicos e usava o esporte como um complemento de todo processo.

Paralimpíadas
Pacientes do Hospital de Stoke Mandeville tendo aulas de tiro com arco, esporte que faz parte das Paralimpíadas
Foto: jackcast2015/Flickr

Após tratar física e psicologicamente os pacientes, Guttmann fazia o que era considerado impossível na época: pedia que eles usassem as cadeiras de rodas para jogar e competir com profissionais do hospital, também em cadeiras de rodas. Eles apostavam corrida, jogavam basquete utilizando próteses, entre outros esportes adaptados. Com o tempo, essa prática passou a ser aberta para pacientes que tiveram alta e foram para outros clínicas do país, o que fez com que pessoas viajassem para Stoke Mandeville para participar. Assim nasceram os Jogos de Stoke Mandeville, considerados percursores das Paralimpíadas. Oficialmente, os primeiros jogos da cidade aconteceram no dia 28 de julho de 1948, com 14 participantes, todos ex-integrantes das forças armadas, competindo em suas respectivas modalidades. Depois disso, os jogos passaram a ser realizados anualmente.

O legado de Guttmann

O termo “Jogos Paralímpicos” foi adotado pelo Comitê Olímpico Internacional apenas em 1984, quando também foi definido que o mesmo país escolhido para sediar as Olimpíadas sediaria os dois eventos. Em 1960, Roma sediou pela primeira vez as duas disputas esportivas. Havia 350 atletas de 24 países nas Olimpíadas dos Portadores de Deficiência (nome dado na época às Paralimpíadas). Apenas oito esportes estiveram em disputa: sinuca, arremesso de dardos, tiro com arco, basquete em cadeira de rodas, natação, tênis de mesa, esgrima em cadeira de rodas e atletismo.

Os jogos seguintes aconteceram em Tóquio, e o levantamento de peso foi acrescentado a lista de modalidades. Quatro anos depois, Israel ofereceu-se para ser sede da competição, depois da desistência do México. O mais importante, nisso tudo foi a transformação da forma como eram vistos paraplégicos e indivíduos com diferentes lesões. Esse evento ajudou a lançar um novo olhar sobre esta parcela da população mundial. Por isso, houve uma maior compreensão de seu potencial enquanto indivíduos criativos e produtivos.

Mundialmente conhecido como pioneiro da reabilitação, Guttmann deixou sua marca no mundo todo por meio de instituições que aderiram seu programa. O médico faleceu em 1980, devido a problemas cardíacos. Hoje, as Paralimpíadas contam com 22 esportes, entre eles: atletismo, biatlo, natação, futebol, tênis em cadeiras de rodas, ciclismo, judô, tiro, entre outros. Nos Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro, o triatlo e a canoagem estrearam como esportes oficiais. E, em 2021, o parabadminton e o parataekwondo se tornam esportes oficiais.

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Paranaense de nascimento e paulista de criação, é jornalista e repórter do Qualquer Latitude. Tem 24 anos e, como um bom aquariano, ama viajar e conhecer as novidades que estão acontecendo por aí. Não vive sem Carnaval, ama tocar em bateria de escolas de samba e não sabe andar na rua sem parar para brincar com um cachorro. Começou a escrever em 2015 e nunca mais parou, ama fazer matérias sobre viagens, turismo e apresentar esse mundo para seus leitores. Atualmente, Gabriel é analista de mídias sociais. Instagram: gabrielgameirog

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