Quarentena na Austrália

Já é pós Covid na Austrália

A quarentena está sendo diferente no mundo inteiro. Cada país está lidando de uma maneira diferente tentando combater o vírus e o impacto do isolamento social. Por isso começamos uma série de posts aqui no blog contando como está a quarentena em diversos lugares. Neste primeiro post a Sofia Milarski conta como foi a quarentena na Austrália.

Quarentena na Austrália

“Eu estou morando na Austrália há quase quatro meses e já posso dizer que minha experiência como intercambista foi (e está sendo) muito diferente do que eu esperava. Quando eu cheguei aqui, no começo de fevereiro, já se falava da Covid-19, doença provocada pelo coronavírus. Usei máscara na maior parte da minha viagem, principalmente nos aeroportos de Sydney e Perth (minha cidade), onde tinham mais vôos chegando da China. Porém a preocupação com o vírus não era tão grande ao ponto de afetar a vida cotidiana por aqui. 

Até a metade de março, tudo foi completamente normal, e tive a oportunidade de conhecer vários lugares na minha cidade e em cidades nos arredores. Dia 15 de março recebi a notícia de que o meu programa (e o de todos os outros intercambistas) seria cancelado e eu voltaria para o Brasil em, no máximo, uma semana. Porém, com o fechamento de fronteiras e a interrupção de vôos no mundo todo, acabei ficando. Menos de duas semanas depois, no dia 26, a minha escola informou que as aulas seriam suspensas e substituídas por aulas online até que a situação melhorasse. Na mesma semana, o governo do estado de WA (West Australia) já tinha divulgado a suspenção das aulas em escolas públicas, restrições de viagem (o estado foi dividido em 13 regiões), distanciamento social e interrupção no funcionamento de estabelecimentos não essenciais. Foi o começo da quarentena na Austrália.

Não chegamos a ter uma quarentena como estão tendo no Brasil. Aqui as medidas tomadas foram seguidas e suficientes para o controle do vírus.

Durante as cinco semanas que ficamos em isolamento, eu saía de casa três dias por semana: dois para levar meu cachorro pra passear e um para ir ao mercado (aliás, nunca achei que ficaria tão feliz em ter que ir ao mercado!). No começo do isolamento, eu estava muito otimista e produtiva. Fiz exercícios todos os dias, estava estudando, dormindo e comendo nas horas certas e fazendo tudo aquilo que eu queria, mas sempre falei pra mim mesma que não tinha tempo. Mas os dias foram passando e eu percebi que eu não fui feita pra ser produtiva em meio a uma pandemia. Eu parei de fazer exercícios, coloquei séries e filmes em dia ao invés de dormir e a minha dieta virou bolos, cookies, brownies e sorvetes.

Chorei várias vezes, senti muitas saudades de casa e tive diversos momentos de desespero pensando no futuro. Mas entendi que a minha quarentena era uma pausa na minha vida sempre corrida pra colocar meus pensamentos em dia, começar um curso online de francês, escrever textos sem contexto, desenhar mais, tirar aquela música no violão (sim, minha host mum soube que eu tocava e me fez a surpresa de conseguir um emprestado!) e, principalmente, me aproximar da minha família daqui. E foi melhor do que eu pensava. Passamos 24 horas por dia juntos e vimos de perto os estresses um do outro que vieram junto com a pandemia. Nos deixou mais fortes como pessoas e como família. 

Como consequência de mais de uma semana sem novos casos de infectados, no dia 27 de abril as primeiras mudanças nas restrições foram feitas: o limite de aglomerações em locais públicos passou de 2 pra 10 pessoas (com 1,5m de distância). Foi aniversário da minha irmã e fizemos um piquenique com as suas amigas. Atividades familiares sem contato com outras pessoas também foram permitidas (caminhadas, piqueniques, pesca…). As aulas voltaram no dia 30, quinta da mesma semana. No dia 18 de maio, foram permitidas reuniões com até 20 pessoas, tanto em áreas externas quanto dentro de restaurantes, respeitando certa distância. As regiões com restrições de viagem baixaram de 13 para 4. 

Como está agora?

Hoje a minha vida praticamente voltou ao normal. E a da minha host family também. Meus irmãos voltaram para a escola e meu pai, que transferiu seu escritório para a sala de tevê, logo deve deixar o home office. Eu fico feliz de ter conseguido lidar com tudo isso mesmo longe do meu país e da minha família. Vou ter muta história para contar. Fico aliviada pela Austrália ter conseguido lidar tão bem com a contenção da pandemia. Ainda tenho até dezembro para poder aproveitar meu intercâmbio como eu planejei: conhecendo gente e aproveitando a minha cidade e a Austrália.”

Yasmin Graeml criou o Qualquer Latitude em 2013 durante um intercâmbio de High School na Austrália, jornalista e apaixonada por contar histórias adora dar conselhos de viagem e preparar roteiros para os leitores do blog!

2 Comentários

  • Yara

    Nossa, realmente muito complicado estar longe da família, mas, por outro lado, uma experiência e tanto. Tenho certeza de que voltará para o Brasil com uma forma diferente de ver a vida!

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