Praia em Alagoas- Tabuba

Uma ruazinha sem asfalto com vários buracos. O carro chacoalhava e pela região a gente nunca imaginaria que escondia um paraíso a poucos metros dali. Em função da pandemia, queríamos viajar para um lugar mais remoto, escolhemos uma praia em Alagoas. Sem resorts, festas e bares. E, por indicação de alguns amigos da região, chegamos em Tabuba, um paraíso localizado a mais ou menos 40 km de Maceió. 

No táxi, saindo e Maceió

Na saída do aeroporto o motorista do táxi foi nos contando um pouco sobre a cidade. No caminho passamos por uma praia de água azul com coqueiros, rodeada por nada além de um prédio com cara de que foi construído nos últimos cinco anos. “Aqui era um lixão, estão tirando para recuperar a área e construir.” disse o motorista. E na hora eu pensei: um lixão em uma praia que e qualquer outro lugar do mundo teriam apartamentos valendo milhões.

Questionamos a localização e ele logo completou: “Sabe o que é, o pessoal não gosta muito desta praia”. Não consegui entender o que teria para não gostar naquela praia, principalmente pensando no padrão de praia europeu ou americano. Mesmo que tivessem tubarões e nunca desse para entrar no mar, no mínimo a vista já valia prédios e quem sabe até uma ciclovia e um calçadão…

No caminho vimos frutas e árvores diferentes e o motorista seguiu nos explicando a dinâmica da cidade. Paramos em um mercado para comprar lanchinhos, aqueles de meio da tarde na praia. Sabíamos que a infraestrutura de Tabuba não era das melhores e que a nossa pousada só oferecia café da manhã (já incluído) e jantar. Ir no mercado foi um dos momentos recorrentes na pergunta “qual é o momento que te faz brilhar os olhos, algo que você precisa fazer em qualquer lugar do mundo” da primeira temporada do Podcast Latitudes. Se você é desses viajantes que gosta de explorar mercados, o que mais chamou atenção por aqui, além da variedade de frutas, foi a cachaça de latinha.

Uma praia em Alagoas (quase escondida)

praia em Alagoas
Foto do nascer do sol

Uns 40 minutos depois chegamos em uma ruazinha de terra, sem nenhum prédio e poucos carros (na verdade vimos passar mais cavalos do que carros). Na nossa pousada fomos logo recebidos pelo dono, o Henrique, que é suíço mas mora em Tabuba com a esposa e a filha. Deixamos as malas e fomos caminhar na praia.

Na nossa primeira caminhada o mar quase dominava a praia, uma faixa pequena de areia… porém a timidez e modéstia da praia não duraram muito. O primeiro a se exibir foi o céu, o sol se pôs com grande formosura. Mudando as cores entre azul, rosa e alaranjado. Logo o mar começou a recuar nos dando uma grande faixa de areia. 

O mar de Tabuba

Nos dias seguintes o mar se exibiu, águas em vários tons de azul. Sem dúvidas está entre os mais bonitos que já vi -não digo o mais bonito para não ofender as outras praias, afinal já estive na Austrália, no Caribe, no Havaí…-. Como este paraíso ainda não foi descoberto por milhares de turistas eu não sei, mas uma parte de mim até gosta que seja assim (principalmente durante uma pandemia). Nas partes mais rasas entrar na água é quase como entrar em uma banheira tão quentinha. Também é possível sentir as correntes de água mais frias entrando de vez em quando dando uma refrescada.

O nosso transporte oficial virou as jangadas dos pescadores que nos levaram para as piscinas naturais da região. Snorkel é o item mais importante na mala para esta viagem, foram algumas horas explorando os recifes vendo peixinhos. 

Uma das coisas que ouvi por aqui é “a maré define a rotina” não tinha entendido bem esta frase até que, além dos horários de ir e voltar, já que quando a maré sobe não dá mais para passar em algumas áreas, o mar mudou totalmente nos nossos últimos dias. De tranquilo e quentinho passou por ondas fortes e refrescantes (gelado é um adjetivo que não passou perto desta viagem). As piscinas naturais se esconderam e até um novo tom de azul apareceu no mar. 

O que eu senti falta

Na semana em Tabuba a única coisa que senti falta foi de um calçadão com lojinhas e cafés (sou uma pessoa bem urbana, não dá para negar). Mas sabe aquele momento que você passou a manhã e o começo da tarde no mar ou na piscina e tudo que você quer é tomar um banho e caminhar sem mais areia? Talvez este problema seja amenizado fora de pandemia, já que tem praias mais badaladas como São Miguel dos Milagres até mesmo da capital Maceió bem pertinho. Mas, como optamos em ficar por aqui nesta praia em Alagoas, justamente para evita aglomerações meus fins de tarde foram com um bom livro nas redes da pousada arco íris!

Yasmin Graeml criou o Qualquer Latitude em 2013 durante um intercâmbio de High School na Austrália, jornalista e apaixonada por contar histórias adora dar conselhos de viagem e preparar roteiros para os leitores do blog!

10 Comentários

  • Maria Rafaela

    Que lugar mais lindo. Confesso que ia pouco à praia, ainda mais agora com a pandemia. Mas esse lugar já está anotado para eu visitar ♥
    Adorei o post, cheio de informações.

  • Paula

    Adoro o Nordeste! Ainda não fui à Alagoas, mas meus pais foram e amaram.
    Realmente, o brasieliro não sabe o valor da natureza que tem. rsrs… Meu ex é americano e ficava de cara quando viajávamos pelo litoral e ele via lugares paradisíacos sem aproveitamento, desprezados… Sem contar o fato de que ele nunca entendeu como é que muitas favelas têm vistas lindas pro mar, coisa que nos EUA seriam terrenos com casas valendo milhões. rsrs
    Querem deixar a natureza preservada e intocada é uma coisa, mas desprezar é outra… 🙂
    Rede, livros e mar quentinho em parece uma boa programação.

    x

  • Hanna Carolina

    Que paraíso é esse que você achou menina. Realmente é um mistério que os turistas não tenham encontrado essa pérola ainda. E para falar a verdade, tomara que continue assim, pois vai manter o “jeito rústico” que parce ser o charme do lugar… rs Achei inusitado que era um lixão antes, pensei o mesmo que você, que por muito menos um lugar desses teria um calçadão, uma ciclovia e prédios valendo milhões me volta, só pela vista. Como é que são as coisas, né?
    Que bom que você achou essa beleza escondida de nosso país. =)
    Bjks!

    Mundinho da Hanna
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  • Camila Tuan

    Eu amo os lugares que quase ninguém vai, principalmente praia, pois eu cansei das praias lotadas e aquele auê todo.
    Já fiquei com vontade de conhecer essa praia, quem sabe depois da pandemia eu possa visitar.

    Beijos

  • Luly Lage

    Menina, nunca fui a uma praia deserta, só praias “urbanas”, então fiquei sentindo uma vontadezinha depois desse seu relato… Nesse período onde isolamento é essencial é uma opção incrível pra curtir o clima gostoso sem se arriscar. É tenso pra quem é muito urbana (também sou, te entendo), mas né, exepriências válidas.

    Essa sua foto do post de fim de tarde, puts, que obra de arte!

  • Denise Rocha

    Aiiii que saaudade de viajar. Esse local parece ser bem legal, nunca fui a uma praia “‘deserta” mas pelo seu relato me deu uma vontade danada de ir a essa praia.
    Quem sabe quando a pandemia passar eu visite esse lugar ♡
    Suas fotos ficaram muito lindas e esse nascer do sol fantástico demais

  • Vitória Bruscato

    Que delícia de lugar! Viagei nos pensamentos lendo a sua descrição e imaginando quão lindo deve ser. Tenho muita vontade de viajar para um lugar mais afastado, menos movimentado, apesar de ser uma pessoa bem urbana assim como você, hehehe.

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