modalidades paralímpicas

Conheça as modalidades paralímpicas de Tóquio parte II

Se você chegou aqui e ainda não leu a primeira parte, sugiro que volte para ver quais são as outras 11 modalidades paralímpicas que serão disputadas nos jogos que terão início no dia 24 de agosto. Aqui, você vai saber mais sobre as outras 9 modalidades que já foram disputadas anteriormente e sobre as 2 novas modalidades que vão estrear nos jogos em Tóquio 2020.

12 – Natação

Este é um dos poucos esportes presente entre as modalidades Paralimpícas desde sua criação. O Brasil começou nesta modalidade nos Jogos de Stoke Mandeville, em 1984, conquistando cinco medalhas de ouro. Hoje, nosso país é uma potencia na natação olímpica e paralímpica, tendo vários atletas recordistas mundiais. Na modalidade competem atletas com todos os tipos de deficiência física e visual, em provas dos 50m aos 400m no estilo livre, dos 50m aos 100m nos estilos peito, costas e borboleta. O medley é disputado em provas de 150m e 200m.

As provas são disputadas por homens e mulheres e as adaptações são feitas nas largadas, viradas e chegadas. Os nadadores cegos recebem um aviso do “tapper”, por meio de um bastão com uma ponta de espuma, quando estão se aproximando das bordas.

Jogos Paralímpicos RIO2016 – Natação – Daniel Dias – 200m livre S5
Foto: Fernando Maia/MPIX/CPB

Classificação Funcional:

S1 a S10 / SB1 a SB9 / SM1 a SM10 – nadadores com limitações físico-motoras.

S11, SB11, SM11, S12, SB12, SM12 S13, SB13, SM13 – nadadores com deficiência visual.

S14, SB14, SM14 – nadadores com deficiência intelectual.

S1 – Lesão medular completa abaixo de C4/5 ou paralisia cerebral quadriplégico severo e muito complicado

S2 – Lesão medular completa abaixo de C6 ou paralisia cerebral quadriplégico grave com grande limitação dos membros superiores

S3 – Lesão medular completa abaixo de C7, lesão medular incompleta abaixo de C6 ou amputação dos quatro membros

S4 – Lesão medular completa abaixo de C8, lesão medular incompleta abaixo de C7 ou amputação de três membros

S5 – Lesão medular completa abaixo de T1-8, lesão medular incompleta abaixo de C8, acondroplasia de até 130 cm com problemas de propulsão ou paralisia cerebral de hemiplegia severa

S6 – Lesão medular completa abaixo de T9-L1, acondroplasia de até 130cm ou paralisia cerebral de hemiplegia moderada

S7 – Lesão medular abaixo de L2-3, amputação dupla abaixo dos cotovelos ou amputação dupla acima do joelho e acima do cotovelo em lados opostos

S8 – Lesão medular abaixo de L4-5, amputação dupla acima dos joelhos, amputação dupla das mãos ou paralisia cerebral de diplegia mínima

S9 – Lesão medular na altura de S1-2, pólio com uma perna não funcional, amputação simples acima do joelho ou amputação abaixo do cotovelo

S10 –  Pólio com prejuízo mínimo de membros inferiores, amputação dos dois pés, amputação simples de uma mão ou restrição severa de uma das articulações coxofemoral

13 – Remo

O remo é um esporte novo nas Paralimpíadas e começou a ser praticado em 2008, em Beijing. Todos brasileiros praticando essa modalidade chegaram às finais. Josiane Lima e Elton Santana ganharam medalha de bronze na competição. Em Londres, a atleta Cláudia Santos não levou a medalha de bronze por apenas 32 centésimos de segundo, em uma disputa acirrada com a remadora da Bielorrússia.

As regras para esse esporte são as mesmas dos Jogos Olímpicos, mas são realizadas apenas quatro provas: duas na categoria AS (braços e ombros, provas masculina e feminina), uma na categoria TA (tronco e braços, prova mista) e uma na categoria LTA (pernas, tronco e braços, prova mista).

Valdeni Jr. em treino do Remo
Foto: Ale Cabral/CPB.

Classificação Funcional:

AS: Atletas que usam apenas braços e ombros para dar impulso no barco, que tenham paralisia cerebral, prejuízo neurológico e/ou perda de função motora.

TA: Atletas que usam os braços, ombros e troncos para impulsionar o barco. Podem ter amputações nos membros inferiores, paralisia cerebral, ou prejuízo neurológico. Nesta categoria, o barco deve ser misto, com um homem e uma mulher formando o time.

LTA: Atletas com deficiência para remar e que possam usar as pernas, tronco e braços para impulsionar o barco. Atletas com amputação, paralisia cerebral, prejuízo neurológico ou intelectual e cegueira (até 10% da visão usando venda) são elegíveis. O barco deve ser composto por quatro tripulantes, com no máximo dois deficientes visuais e obrigatoriamente dois homens e duas mulheres.

14 – Rúgbi em Cadeira de Rodas

O rúgbi, um esporte para atletas com quadriplegia, foi criado como uma alternativa para aqueles que não podiam ou queriam jogar o basquete em cadeira de rodas. As partidas são disputadas com quatro jogadores para cada lado e oito reservas, em quatro tempos de oito minutos. Cada equipe tem 40 segundos para definir a jogada, sendo que nos 12 primeiros segundos deve-se obrigatoriamente ultrapassar a linha do meio da quadra. O jogador pode conduzir a bola por 10 segundos. Depois desse tempo, deve passá-la ou quicá-la.

As cadeiras de rúgbi têm uma grade na frente dos pés do jogador para segurar os adversários nos choques. Como há muitos contatos nas partidas, são proibidos apenas contatos corporais e, além disso, na parte de trás das cadeiras, é necessário uma manutenção constante, principalmente nas câmaras dos pneus e no eixo. Podem disputar a modalidade homens e mulheres em equipes mistas. O rúgbi em cadeira de rodas foi um esporte de demonstração nos Jogos de Atlanta e foi incluído no programa dos Jogos de Sydney, em 2000.

Aquece Rio Evento Teste – Arena Carioca 1 – Rúgbi em Cadeira de Rodas – Brasil x Austrália
Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB

Classificação Funcional:

Cada atleta recebe uma pontuação de acordo com sua habilidade funcional, de 0.5 a 3.5. Quanto maior o número, menor o comprometimento pela deficiência. Os quatro titulares não podem somar mais do que oito pontos. A equipe que tiver mulher em quadra pode ter mais 0.5 acrescentado ao limite de pontos da equipe.

15 – Tênis de Mesa

Essa modalidade é disputada desde os Jogos de Roma por homens e mulheres, e sofreu apenas algumas mudanças ao longo dos anos. As competições são divididas entre atletas andantes e cadeirantes, e podem ser praticadas por homens e mulheres com paralisia cerebral, amputados e cadeirantes. As partidas consistem em uma melhor de cinco sets, sendo que cada um deles é disputado até que um dos jogadores atinja 11 pontos. Em caso de empate por 10 a 10, vence quem primeiro abrir dois pontos de vantagem.

Jogos Paralimpicos Rio 2016 – Tênis de Mesa – Bruna Alexandre Costa
Foto: Alexandre Urch/MPIX/CPB

Classificação Funcional:

TT1, TT2, TT3, TT4 e TT5 – Atletas cadeirantes

TT6, TT7, TT8, TT9, TT10 – Atletas andantes

TT11 – Atletas andantes com deficiência intelectual

16 – Tênis em Cadeira de Rodas

Em 1988, a modalidade foi integrada aos Jogos Paralímpicos de Seul. Barcelona 1992 foi o marco para o tênis em cadeira de rodas, pois passou a valer medalhas. Desde então, homens e mulheres disputam nas quadras em duplas ou individuais.

Aquece Rio Evento Teste – Centro Olímpico de Tênis – Tênis em Cadeira de Rodas – Natália Mayara
Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB

Classificação Funcional:

Classe aberta – Atletas com deficiência para se locomover mas sem comprometimento de braços e mãos.

Classe “quad” – Atletas com deficiências que afetem, além das pernas, o movimento dos braços, dificultando o domínio da raquete e da movimentação da cadeira de rodas.

17 – Tiro esportivo

Foi em 1976, nas Paralimpíadas de Toronto, que essa modalidade passou a fazer parte dos jogos. No Brasil, a modalidade começou a ser praticada em 1997, no Centro de Reabilitação de Polícia Militar do Rio de Janeiro. Pessoas amputadas, paraplégicas, tetraplégicas e com outras deficiências locomotoras podem competir tanto no masculino como no feminino.

As regras das competições têm apenas algumas adaptações, que variam de acordo com a prova, à distância, o tipo do alvo, posição de tiro, número de disparos e o tempo que o atleta tem para atirar. Na competição, a pontuação de cada etapa é somada e vence quem fizer mais pontos. Durante os Jogos Paralímpicos, os alvos são eletrônicos e os pontos são imediatamente projetados num placar. Nem as roupas e as armas utilizadas fogem da evolução tecnológica. Há diferença das vestimentas nas provas para cada tipo de arma.

Campeonato Brasileiro de Tiro Esportivo 2018
Foto: Marco Antonio Teixeira/MPIX/CPB

Classificação Funcional:

SH1 – Atiradores de pistola e rifle que não requerem suporte para a arma
SH2 – Atiradores de rifle que não possuem habilidade para suportar o peso da arma com seus braços e precisam de um suporte para a arma
SH3 – Atiradores de Rifle com deficiência visual

18 – Tiro com Arco

O arqueiro tem como objetivo lançar flechas no alvo, aumentando a pontuação de acordo com a proximidade do centro do alvo. O esporte é praticado ao ar livre e o alvo costuma ficar a 70 metros dos participantes. Em ambientes fechados, a distância varia de 18 a 25 metros. O tamanho do alvo varia de acordo com a distância, indo de 122 cm a 40 cm de diâmetro. O tiro com arco é uma modalidade para atletas com deficiência motora, disputadas individualmente ou em equipe. Podem competir em cadeiras de rodas ou de pé, com um total de 7 provas. A modalidade tornou-se paralímpica nos Jogos de Roma, em 1960.

Jogos Paralimpicos Rio 2016 – Tiro com Arco – Thais Carvalho do Brasil
Foto: Marco Antonio Teixeira/MPIX/CPB

Classificação Funcional:

ARST – Arqueiros sem deficiência nos braços e com algum grau de comprometimento da força muscular, coordenação ou mobilidade das pernas. Podem competir em pé ou sentados em cadeira normal.

ARWI – Atletas que possuem tetraplegia, com deficiência nos braços e pernas e alcance limitado dos movimentos. Competem em cadeira de rodas.

ARWII – Arqueiros com paraplegia e mobilidade articular limitada nos membros inferiores. Competem em cadeira de rodas.

19 – Triatlo

Essa é mais uma das modalidades que é nova nas paralimpíadas. Estreou em 2016 no Rio de Janeiro e vem ganhando cada vez mais adeptos podendo pode ser praticada por homens e mulheres. As distâncias são as seguintes: 750m de natação, 20km de ciclismo e 5m de corrida. O triatlo pode ser praticado por pessoas com diversos tipos de deficiência, cadeirantes, amputados ou cegos.

Há algumas adaptações em relação ao esporte convencional, como a possibilidade de cadeirantes e paraplégicos usarem a handcycle (bicicleta que se pedala usando as mãos) e o trecho de corrida poder ser feito em cadeiras de rodas. Sua primeira realização em paralimpíadas aconteceu em Copacabana, Rio de Janeiro.

Evento teste Triatlo/Rio de Janeiro 2015
Foto: Leandra Benjamin/CPB/MPIX

Classificação Funcional:

PTHC – Cadeirantes que utilizam handcycle (bicicleta em que o atleta usa os braços para dar impulso) e cadeira de rodas para a corrida. Existem ainda as subclasses H1, com deficiências mais elevadas e H2, com deficiências mais severas.

PTS2, PTS3, PTS4 e PTS5 – Atletas com paralisia cerebral, andantes e com deficiência físico-motora. A primeira é para atletas com deficiências mais severas e o último para mais moderadas. A pontuação adquirida nos exames de classificação funcional define em qual classe os atletas se enquadram.

PTVI – Triatletas cegos. As subclasses seguem as definições da Federação Internacional de Esportes para Cegos (divididos em B1, B2 e B3), onde B1 é cego total, B2 tem a percepção de formas e luz e B3, baixa visão. Na parte de ciclismo, a bicicleta utilizada é a tandem (dupla), onde o guia senta na parte da frente, e o atleta, no banco de trás.

20 – Vôlei Sentado

Existem provas de vôlei sentado e em pé, porém, a partir de 2004, apenas o vôlei sentado foi incluído no programa paralímpico. É um esporte para atletas com deficiência física. O voleibol sentado é jogado num campo menor, (10x6m) com rede mais baixa (1.15m para homens e 1.05m para mulheres) e cada jogo é composto por um total de 5 sets.

Cada um dos primeiros 4 sets está completo quando a equipe marcar 25 pontos, com uma diferença de pelo menos 2 pontos sobre o adversário. Ganha o jogo a primeira equipe que vencer os primeiros sets. O time tem 12 jogadores e um líbero.

Jogos Paralímpicos Rio 2016 – Voleibol sentado – Brasil x Ucrânia
Foto: Marco Antonio Teixeira/MPIX/CPB

Classificação Funcional:

Amputados, atletas com paralisia cerebral, com lesão na coluna vertebral e com alguma deficiência locomotora podem participar. A única divisão é entre deficientes (D) e minimamente deficientes (MD), que são em grande parte ex-jogadores de vôlei que sofreram alguma lesão grave no joelho ou tornozelo. Cada equipe pode possuir no máximo um atleta MD em quadra por vez.

21 – Parataekwondo

A modalidade vai estrear nas Paralimpíadas de Tóquio 2020 e é disputada por dois atletas, um com colete azul e outro vermelho. O colete possui sensores capazes de medir a potência do chute quando em contato com a meia do oponente. A meia também tem sensores em pontos distintos do pé. As lutas são realizadas em três rounds de dois minutos, com um minuto de intervalo. Ganha o atleta que tiver mais pontos ao término do último round. Se acabar empatado, ocorre mais um round, cujo vencedor é o lutador que fizer os dois primeiros pontos. Os atletas são divididos por categorias de peso: homens até 61kg, até 75kg e acima de 75kg. Mulheres até 49kg, até 58kg e acima de 58kg.

Jogos Parapanamericanos Lima 2019 – Taekwondo – Silvana Mayara e Christiane Neves classe k44
Foto: Ale Cabral/CPB

Classificação funcional:

As classes esportivas do Taekwondo são definidas pela letra P (poonse – forma) e K (kiorugui – luta).

P10 – deficiência visual.

P20 – deficiência intelectual .

P30 – deficiência física.

P70 – baixa estatura.

KP60 – surdos.

K40 – deficientes físicos

K43 – Atletas com amputação bilateral do cotovelo até a articulação da mão, dismelia bilateral.

K44 – Atletas com amputação unilateral do cotovelo até a articulação da mão, dismelia unilateral, monoplegia, hemiplegia leve e diferença de tamanho nos membros inferiores.

22 – Parabadminton

O parabadminton também é uma nova modalidade que entrou depois de 2016 no circuito paralímpico. E nada mais é do que o badminton estruturado para pessoas com deficiências físicas. Atletas em cadeira de rodas e andantes utilizam uma raquete para golpear uma peteca na quadra dos adversários competindo em provas individuais, duplas (masculinas e femininas) e mistas em seis classes funcionais diferentes.

No Brasil, o parabadminton foi introduzido em 2006, pelo professor Létisson Samarone Pereira, no Distrito Federal. Também aconteceram no DF as primeiras competições oficiais da modalidade – estaduais (2008) e nacionais (2009). Desde 2011, o Brasil participa de todos os campeonatos internacionais da modalidade.

Treino da Seleção de Badminton no CT Paralímpico Brasileiro.
Foto: Ale Cabral/CPB.

Classificação Funcional:

WH1 e WH2 – Classes funcionais de cadeiras de rodas.

SL3 e SL4 – Classes funcionais de pessoas com deficiência nos membros inferiores que andam.

SU5 – Classe funcional de pessoas com deficiência nos membros superiores.

SH6 – Classe funcional de baixa estatura.

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Paranaense de nascimento e paulista de criação, é jornalista e repórter do Qualquer Latitude. Tem 24 anos e, como um bom aquariano, ama viajar e conhecer as novidades que estão acontecendo por aí. Não vive sem Carnaval, ama tocar em bateria de escolas de samba e não sabe andar na rua sem parar para brincar com um cachorro. Começou a escrever em 2015 e nunca mais parou, ama fazer matérias sobre viagens, turismo e apresentar esse mundo para seus leitores. Atualmente, Gabriel é analista de mídias sociais. Instagram: gabrielgameirog

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