curso de relações internacionais

Curso de Relações Internacionais: tudo que você precisa saber

O curso de relações internacionais atrai muitas pessoas que gostam de viajar e de história (acho que temos vários leitores do Qualquer Latitude que se enquadram nesta categoria.) Sou formada em Relações Internacionais, então, nada mais justo do que eu contar tudo sobre esse curso: quais são as expectativas e a realidade e para quem ele é a melhor opção.

Um pouco de tudo sobre o mundo…e o Brasil

O curso de Relações Internacionais fornece de tudo um pouco sobre “assuntos do mundo”; há aulas de história, geopolítica, economia, projetos internacionais, direito internacional e direitos humanos, talvez psicologia e muitas outras disciplinas. Porém algo que talvez não passe pela cabeça de quem tem interesse nessa graduação é que você também irá estudar muito sobre o Brasil! Política externa brasileira e da América Latina, história do Brasil, direito público e privado. Afinal, para conhecer o mundo é necessário também saber como o nosso país funciona.

Justamente por fornecer conhecimentos sobre um “pouco de tudo”, pode ser que você chegue ao final do curso com um ar de que não se aprofundou muito em nada. Por isso é importante que durante seus estudos você se aprofunde naquele tema ou área que lhe interesse mais. Busque Iniciações Científicas, grupos de estudo, escreva artigos sobre o assunto, participe de palestras e oficinas, etc.

O curso de Relações Internacionais é ideal para quem quer ser diplomata?

O curso de relações internacionais irá fornecer certa ajuda para quem quer fazer o concurso do Instituto Rio Branco. Mas, saiba que você irá ter que estudar muito por conta própria. Além disso, infelizmente, boa parte da prova é formulada em um estilo vestibular no qual vale a famosa “decoreba”. Ainda há alguns outros empecilhos para a carreira diplomática que não irei entrar em muitos detalhes aqui.

Eu diria que os cursos direito, história e relações internacionais são boas opções para quem quer seguir a carreira diplomática. Porém na realidade alguém que faz qualquer curso pode tentar seguir essa carreira, por mais que seja vantagem poder estudar disciplinas mais relacionadas ao tema durante a faculdade.

Precisa falar outras línguas para o curso de relações internacionais?

O inglês e o espanhol (ao menos a compreensão escrita dessa língua) são essenciais para quem quer estudar Relações Internacionais. Muitos dos materiais estarão em alguma dessas línguas. Além de, é claro, serem necessárias em diversas situações durante a graduação e a vida profissional.

É comum durante o curso de Relações Internacionais que os alunos estejam estudando diversas línguas. Alguém sempre tem o seu “xodó” e sempre há algumas pessoas que se interessam por línguas que não tem muito uso prático – e isso define muito bem o Internacionalista (como é chamado quem estuda R.I.) – alguém que irá ter fascínio pelos mais diversos e “exóticos” países.

Intercâmbios e viagens

Realizar um intercâmbio é uma das coisas mais “internacionalistas” possíveis. E sim, de fato muitos estudantes fazem isso durante os estudos ou viajam bastante. Isso depende das condições financeiras de cada um. Muitas instituições de ensino possuem acordos com instituições estrangeiras que cortam boa parte dos custos, fornecem bolsas de estudo, etc. Então é sempre uma boa ideia ir atrás dessas informações onde se estuda.

Intercâmbio para o Canadá que consegui com isenção de mensalidades através da faculdade.

Além disso, o curso de Relações Internacionais acaba fornecendo diversas oportunidades de viagens e intercâmbios através de projetos, competições nacionais e internacionais (como competições de direito, simulações da ONU, entre outros) e concursos (por exemplo, na minha época havia um concurso de redação promovido pelo governo do Azerbaijão que presenteava o ganhador com uma viagem para o país). A ONU também possui várias competições de redação assim como o governo brasileiro.

Um curso que abre seu olhar para o mundo

Eu e todos que conheço que cursaram Relações Internacionais compartilham dessa opinião: você é uma pessoa quando começa o curso e sai outra – no sentido bom. Ele realmente fornece uma formação que irá mudar você como pessoa e que irá lhe fazer ver o mundo e os eventos mundiais (e também nacionais) com outros olhos. É um curso que tem o intuito de fazer você conseguir analisar ocorrências das mais diversas perspectivas – o que inclui perspectivas mais complicadas sim, como tentar entender as motivações de quem inicia uma guerra, por exemplo.

É por essa razão que durante o curso e fora dele, cursar Relações Internacionais e conversar com alguém que também o fez gera os mais interessantes debates e conversas. Até nas mais aleatórias horas e momentos. O Internacionalista consegue transformar qualquer conversa trivial em debates complexos e profundos! E esse é um dos motivos que mais amamos por ter estudado Relações Internacionais e conversar com quem também estudou.

No entanto o fato de o curso abordar as questões mundiais também faz dele um curso que pode ser mais “pesado”, uma vez que situações realmente complicadas serão abordadas: guerras, situações de abuso de direitos humanos, etc. Muitas pessoas podem ver o Internacionalista como alguém que não é sensível mais a esses problemas, pois somos treinados a ver os fatos da forma mais pragmática possível – o que não significa que não discutimos e analisamos essas perspectivas de forma mais humanizada – apenas precisamos saber separar fatos de outras questões primeiro para depois fazer outros tipos de análise. Afinal, somos humanos e nossa capacidade de imparcialidade é limitada. Um exemplo disso é que diversas vezes durante conversas no dia-a-dia (mesmo após formados) e aulas os alunos acabam se exaltando sobre alguma causa ou assunto que lhe toca profundamente.

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Mercado de trabalho e realidade no Brasil

O profissional de Relações Internacionais, conhecido como Analista de Relações Internacionais, tem dificuldades de se encaixar no mercado de trabalho em uma área que seja estritamente de Relações Internacionais. Esse é um conceito ainda não muito bem estabelecido aqui no país. É comum que em entrevistas ou descrições que o indivíduo da área tenha que “vender seu peixe” e contar que R.I. não é Comércio Exterior, etc…e ainda ter que convencer o contratador porque você acaba sendo uma melhor opção do que um profissional dessa área que possui um conhecimento muito mais aprofundado sobre esse assunto.

Muitas pessoas que se formam em Relações Internacionais acabam trabalhando ou em áreas que possam ter algo a ver com o curso, mas também trabalham em áreas que não estão muito relacionadas justamente devido à essa dificuldade de encontrar algo que se encaixe bem em seus conhecimentos e expectativas.

Outros Internacionalistas buscam por oportunidades em setores governamentais, ONGs e Organizações Internacionais. Muitas dessas vagas são no exterior e são mais difíceis de serem conquistadas também. Um exemplo é a Organização das Nações Unidas (ONU). Embora haja pessoas que conseguem uma vaga facilmente, a realidade para a maioria é que isso será muito difícil e exigirá anos de dedicação e experiência (incluindo experiências voluntárias) para conseguir se encaixar e se tornar competitivo para adquirir determinada vaga/função.

É devido a esses motivos que muitas pessoas formadas em Relações Internacionais optam por seguir a carreira acadêmica, seja aqui ou fora do país.

Se você tiver mais dúvidas sobre o curso de Relações Internacionais, escreva nos comentários e irei responder a todas!

A Isabela tem 26 anos e é formada em Relações Internacionais. Já morou no Canadá e Alemanha, e é amante de café, história, estudar línguas e viajar.

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